Azeite extravirgem italiano, o melhor do mundo

A Itália conquista o primeiro lugar na edição 2014 do concurso oleário TerraOlivo – Mediterranean International Olive Oil Competition que foi realizada, entre os dias 16 e 18 de Junho, em Jerusalém.

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(foto centrometeoitaliano)

Estavam presentes 450 azeites na competição, provenientes de todo o mundo, mas o nosso país triunfou com o extravirgem Garda Bresciano “Il Brolo” que ganhou o prêmio absoluto, ou seja, o International Grand Champion Trophy TerraOlivo 2014.

Para confirmar a primazia italiana no mundo do extravirgem, o Bel Paese conquistou também o pódio do azeite biológico, alcançando o primeiro e o terceiro lugar no 19° Premio Internazionale Biol, ocorrido no mês de Março em Ándria (região da Puglia, Itália): o extravirgem Monte della Torre , de Caserta, na Campânia, revelou-se o melhor absoluto do último ano, entre 425 azeites de 17 países; ao invés, o azeite Tenuta Arcamone, produzido em Bitritto, na Puglia, ganhou a medalha de bronze.

O cultivo da oliveira, presente em 18 das 20 regiões italianas, é principalmente difundido nas ilhas e nas regiões meridionais, particularmente Puglia, Calábria, Sicília, Basilicata e Sardenha, onde atinge 88% da produção nacional. Entre os mais apreciados, há os azeites da Toscana e da Úmbria.

Clicando no link abaixo, poderão consultar a lista, dividida por regiões, dos melhores azeites italianos escolhidos pelo Guia Gambero Rosso, uma das mais prestigiosas revistas culinárias italianas.

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(foto unipi.it)

A Itália é o segundo maior produtor de azeite na Europa e no mundo, com uma produção média nacional de mais de 464 000 toneladas, dois terços das quais extravirgem, e com 41 azeites DOP (Denominação de Origem Protegida) e IGP (Indicação Geográfica Protegida), reconhecidos pela União Europeia. Porém, nem sempre o azeite exportado é o premiado pela União Europeia.

Em 2012, o jornalista estadunidense Tom Mueller, autor do famoso livro O mundo sublime e escandaloso do azeite, afirmou: “Tráficos, má rastreabilidade, adulterações e pouquísima atenção aos direitos do consumidor, além dos danos inestimáveis para a saúde, estão gravemente enfraquecendo o frágil tecido dos muitos pequenos produtores de azeite excelente “.

Então, para aqueles que, no exterior, compram, é difícil escolher bem. Basta dar uma rápida olhada nas estantes de qualquer supermercado, para entender que a escolha não é fácil: há azeites de todos os preços e com rótulos tão estranhos que, afinal, compramos ao acaso.

 

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Como comprar um azeite de qualidade?

Compre azeite vendido em garrafas escuras: os óleos em garrafas transparentes estão expostos à degradação pela luz com maior frequência.

O rótulo é fundamental, é a primeira coisa que olhamos. Mas o que é que temos que ler no rótulo de um azeite de qualidade? Primeiro, procure no rótulo a data de prensagem e de engarrafamento.

Desde 2009, entrou em vigor, em todos os países da Comunidade Europeia, a obrigação de indicar no rótulo a origem das azeitonas utilizadas para a produção de azeite virgem e extravirgem. Simplificando, isso significa que o rótulo do verdadeiro extravirgem italiano, terá que trazer (obrigatoriamente) as palavras “obtido de azeitonas italianas”, “obtido de azeitonas cultivadas na Itália” ou, simplesmente, “produto italiano”. Prefira sempre azeites com uma indicação geográfica precisa, é importante encontrar a marca DOP e IGP.

Se, no rótulo, encontrarem a escrita “azeite de oliva”, saibam que quase sempre se trata de uma mistura de azeite de bagaço e azeite virgem.

Mas o que é o azeite extravirgem? Trata-se do azeite produzido exclusivamente por espremedura mecânica, sem a utilização de solventes químicos e sem particulares passos intermédios ou tempos de espera longos. A acidez atinge no máximo 1%.

O azeite de oliva virgem, apesar de ser sempre resultante do procedimento mecânico, tem propriedades organolépticas inferiores, uma acidez de 2% e uma certa deterioração da vitamina E. Nesse sentido, é sempre melhor preferir o extravirgem ao simples azeite virgem.

O azeite de bagaço de oliva, ao invés, nasce da união de azeites obtidos da prensagem do bagaço (o material resultante após a prensagem das azeitonas), por meio de elementos químicos e ulteriores tratamentos de purificação, e azeites virgens. O resultado é um azeite mais ácido do que o extravirgem e com um sabor muito pior.

Cuidado com os azeites muito baratos: se pagar não é sinônimo de comprar produtos de qualidade, com certeza, é difícil que um azeite extravirgem de 10 ou 12 euros por garrafa possa ser realmente bom.

Como reconhecer um bom azeite, através da visão, do olfato e do paladar

Visão. Observar como se conduz um extravirgem quando, por exemplo, é derramado ou agitado num copo pode nos ajudar a compreender algumas informações interessantes sobre a qualidade.

Despejem duas colheres de café de extra-virgem num copo de vidro agitando-o, e tentem avaliar a fluidez do azeite, colocando-o contra a luz. O extravirgem tem um grau de fluidez médio-baixo.

Olfato. Despejem um pouco de azeite num copo de vidro, aquecam o conteúdo do copo com a palma de uma mão agitando um pouco (a temperatura ideal é de 28 ° C); em seguida, cubram com a palma da outra mão a extremidade do copo para manter os aromas; então, descubram o copo, levem-no ao nariz e inalem divagar e profundamente para individuar os componentes olfativos do azeite. No perfume do azeite podem-se encontrar aromas de maçãs, nozes, tomate ou grama.

Paladar. Têm que identificar os sabores básicos do azeite: o amargo, o doce, o azedo e o salgado.

O característico retrogosto picante-amargo é considerado atributo positivo pelos provadores profissionais, então não se preocupem se o azeite é levemente amargo e picante.

azeite_extravirgem3Para concluir, saibam que na Itália existem decenas de cursos para se tornar provadores profissionais de azeite. Se, por acaso, vierem para a Itália, e decidirem se inscrever num desses cursos, para obter mais informações, os sites de referência são:

Organizzazione Nazionale Assaggiatori Olio di Oliva

Associazione Nazionale Assaggiatori Professionisti Olio di Oliva 

Unione Mediterranea Assaggiatori Olio

Por Viviana Trovato, Guia de Turismo.

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2 Comments

  1. Claudia Rinaldin

    Gostei muito da sua matéria.Você poderia passar o nome de um bom azeite italiano??Obrigada.Claudia Rinaldin.

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    1. Amina Iacuzio

      Oi Claudia, obrigada. Aqui na Italia cada um vai procurar o bom azeite “lá na roça”. Mas eu nao sei quais azeites são importado no Brasil. Desculpe. Tem que perguntar nas lojas de gastronomia italiana. Um abraço

      PS – A Viviana me mandou un Whatsapp, falando que o azeite mais gostoso que ela encontrou é o Olio Elite do Olio Trevi, http://www.oliotrevi.it/it/6-olio-elite. Serà que eles podem enviar no Brasil?

      Reply

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